Distintas escavações arqueológicas foram descobertas nas quais foram mostram pinturas, gravuras e esculturas que apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos. Em 3000 a.C. no continente asiático a música se desenvolveu com expressividade na cultura da civilização chinesa. Os chineses nesta época viam a música como algo mágico, celestial. Na pré-história o ser humano produzia uma forma de música que lhe era essencial, uma vez que era na arte que o ser humano encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos, e outras percepções que fugiam de sua razão.
As primeiras civilizações surgiram na região do Oriente Médio, ou mais especificamente na Mesopotâmia. Não é muito o que se conhece a respeito da música dos povos que viveram na região.
Existem pinturas com cenas de músicos tocando harpa. Há relatos de Heródoto sobre a música de povos como os assírios – para este povo a música exercia papel importante nos ritos e em festejos, por exemplo.
Pode-se ver que por meio da pintura diversos instrumentos eram usados por esses povos, já divididos entre instrumentos de sopro, corda e também percussão, entre eles: flautas, tambores, lira, harpa e a cítara.
O povo sumério influenciou culturas como a babilônica e a judaica, por exemplo, que mais tarde se instalariam naquela região da Mesopotâmia. Houve um povo também, que deixou um legado de sua cultura musical: os assírios. Estes retrararam em pinturas e esculturas a música e seus instrumentos, uma vez que a música era associada ao poder, havendo um certo reverenciamento aos músicos da época, até porque, quando algum povo era conquistado os músicos eram levados para Assíria para que sua sapiencia sobre a música pudesse ser aprendida pelos assírios.
Já a cultura egípcia, por entre o ano 4.000 a.C., alcançou um nível elevado no que diz respeito a música, já que a agricultura era extremamente importante ao povo. Os egípcios tinham por costume louvar aos seus deuses em cerimônias religiosas, para agradecer a boa colheita, em grandes festas, cujas pinturas retratam pessoas cantando, dançando, tocando harpas, instrumentos de percussão e flautas. No Egito, diz-se que poder militar usava instrumentos musicais nas comemorações.
Os hebreus também faziam música, conforme relatos. Na Bíblia Sagrada, há letras de canções e cânticos hebraicos, como os Salmos, alguns instrumentos musicais são referidos em diversos versos, como a harpa. A música para este povo era muito em consagração a Deus.
Para o filósofo e matemático Pitágoras, a Música e a Matemática que vivem em harmonia, teriam a capacidade de possuírem os mistérios do mundo. Isto quer dizer, o universo era uma grande filarmônica (acredita-se que por isso que a música e a dança possuíam um papel importante nos cultos religiosos feitos aos deuses do Olimpo) predominando liras e instrumentos de sopro como a flauta. Reproduzindo teorias e técnicas musicais da civilização grega, os romanos também possuíam uma efervescente cultura musical, como a composição de letras enaltecendo seu poderio militar, utilizando instrumentos de percussão, como tambores e pratos. São os inventores da tuba, instrumento de sopro. Havia na Grécia festivais de música e dança em homenagem a Apolo e Dionísio. Os gregos consideravam a música como a arte mais importante para educar as pessoas. A música esteve presente nas cerimônias religiosas, nas manifestações de massa, poesia e teatro. Assim a música era parte integrante da formação humana e de seu caráter. Eles acreditavam que cada melodia e instrumento poderia influenciar a formação do caráter.
A Idade Média, a dita “Idade das Trevas”, foi marcada por um forte caráter religioso, sendo a igreja católica o epicentro das doutrinas ideológicas no âmbito cultural, social e político. Desta maneira até mesmo na produção musical, a Igreja ditada às regras. Aqui o canto gregoriano torna-se famoso. O canto gregoriano foi criado antes do nascimento de Jesus Cristo, pois ele era cantado nas sinagogas e países do Oriente Médio. Por volta do século IX desenvolve-se o chamado “Organum”.
No século XIV, o renascimento surge com fervor. Com o humanismo; o cientificismo, a valorização da cultura greco-romana em voga, a música deveria ser universal, conforme pensavam os compositores da época. Havia um encantamento pela sonoridade polifônica, pela possibilidade de variação melódica. Instrumentos são inventados como a flauta doce, o cravo, a viola e o violino.
Foram encontrados em diversos sítios arqueológicos desenhos de pessoas dançando em volta de tambores. Muitos objetos musicais também foram encontrados como toras de árvore fossilizadas, possivelmente usadas como tambores primitivos, e diversas versões de litofones, rochas de diversos tamanhos que eram dispostas sobre um tronco ou buraco no chão, usadas para produzir música melódica por percussão.
SISTRO
Produzido geralmente em bronze e madeira, por volta de 2.500 antes de Cristo o sistro já era tocado em terras súmerias, é uma espécie de chocalho. O instrumento já existia na Suméria do ano 2500 a.C. Seu formato mais comum era a de um cabo com um arco, onde se colocavam pequenas barras com discos de metal que quando agitadas produziam o som. No Egito dos tempos faraônicos quem o tocava eram mulheres nobres e sacerdotizas em rituais a deusa Isis, por exemplo. Foi um instrumento comum, também, aos romanos, quando tiveram contato com os egípcios. Na tumba do faraó Tutankhamon, foram encontrados diferentes Sistros, compostos por címbalos de bronze bastante rústicos.
LIRA
Várias são as histórias a respeito da origem deste instrumento musical, a lira. Há uma lenda que conta que Apolo caminhava por uma praia, quando deu com o pé no casco de uma tartaruga que estava com as tripas secas e esticadas. Apolo percebeu, então, que fazendo vibrar as tripas, produzia-se som, originando assim a lira grega. Já na segunda lenda relata que Apolo amarrou algumas cordas de tripa aos chifres de um boi e, desta forma, deu origem à lira. E a última história trata de um dia de caça de Apolo com sua irmã Diana: ele notou que toda vez que sua irmã atirava com seu arco, a flecha ao ser solta, produzia sons. Desta maneira, o Deus Apolo pensou em fazer um instrumento de corda. Seu filho, Orfeu que era o Deus da Música, conforme a mitologia grega, ao tocar sua lira, conseguia encantar até mesmo os animais.
Há outro relato de sua invenção, atribuído ao Deus Hermes. Foi um instrumento que teve grande apreço entre os gregos na antiguidade. Era feita de uma placa de som – feita de casco de tartaruga), à qual era presa por parafusos (feitos de madeira ou osso de chifre) e cordas que corriam sobre de uma ponta a outra da base da caixa. O estudioso Jose Castejón fala que há certa dificuldade em interpretar ou traduzir textos e vocabulários utilizados por diferentes autores no que diz respeito ao nome dado aos instrumentos musicais, já que muitas vezes acontece que, para designar um único instrumento, os escritores utilizam termos diferentes. O exemplo que Catejón nos dá é do nome da lira no Hino Homérico a Hermes IV: Homero usa três formas para se referir a lira: Fórminx, Chelys e lyra.
VIOLÃO
O violão é um instrumento derivado do alaúde árabe, levado pelos mulçumanos para a península Ibérica e adaptando-se muito bem as atividades da corte. Placas de barro com figuras seminuas tocando um instrumento muito semelhante ao violão contemporâneo (1900-1800 a.C), na antiga Babilônia. Se difundiu por países, como a Espanha e Portugal com a invasão moura na região e até hoje faz parte do que se chama de música espanhola, como sendo o principal acompanhamento da dança flamenca e da música portuguesa com seu triste fado.
CÍTARA
Originário da Assíria. Este foi o instrumento mais utilizado pelos músicos da China. A cítara é um instrumento que possui uma série de cordas esticadas dentro ou sobre uma caixa de ressonância feita quase que exclusivamente de madeira. Existem versões que só têm cordas livres, e versões em que algumas cordas estão esticadas sobre uma manga com trastos. Como vários outros instrumentos de corda, existe em versões acústicas e eléctricas.
HARPA
De origem suméria, este, talvez, seja um dos instrumentos mais retratados em pinturas achadas por arqueólogos. No túmulo de uma das rainhas deste povo, Schab-ad, achou-se um instrumento parecido com uma harpa, datado de 3000 a.C. As harpas são diferentes da lira e cítara devido ao seu formato triangular e
pelo comprimento desigual das cordas.
FLAUTA
Nascida há milhares de anos, ainda na pré-história, a flauta pode ser considerada um dos instrumentos mais lindos de se ouvir, com seu som doce e apaixonado. Há escavações que encontraram flautas, no tempo do homem de Neandertal, feitas de ossos. A flauta foi usada por músicos nos tempos áureos do antigo Egito e também, por hebreus, como relatado na Bíblia. Sendo esta tocada em inúmeras ocasiões, como a maioria dos instrumentos.
No renascimento, feita de madeira, a flauta doce era tocada, principalmente sozinha, assinalada por ser fina e cilíndrica, alcançou seu clímax em metade do século XVI. Séculos após, a flauta doce foi sendo perdendo espaço para a flauta transversal, devido a sua maior sonoridade e possuir um timbre mais significativo.
VIOLINO
Com uma sonoridade inconfundível este instrumento se tornou quase que imprescindível nas orquestras. O violino surgiu no final do século XVI na Europa, tendo sua fabricação na Itália – três famílias dominavam a “arte” de fabricá-lo: Stradivarius, Amati e a família Guarneri. Apesar de que tenha se conservado quase que o mesmo por décadas, no século XIX passou a possuir, anteriormente o arco tinha uma forma côncava, sofreu uma mudança que o tornou convexa. Até hoje, o violino está entre os instrumentos favoritos.
Cada som tocado em uma música tem seu timbre característico, cada nota tocada tem sua particularidade. Definido da forma mais singela o timbre é a identidade sonora de uma voz ou instrumento musical. Já se sabe que para o homem na pré-história a música possuia um caráter religioso, mágico, ritualístico, sendo feita em agradecimento aos deuses ou buscando sua proteção para a caça ou para guerra. No mesmo período os homens passaram a bater na madeira, produzindo um som ritmado, surgindo assim o primeiro instrumento de percussão. A música sempre esteve presente na história da humanidade. Sofreu inúmeras transformações até hoje, atravessou terras, mares, se misturou a novos ritmos, instrumentos foram aperceiçoados, porém, a música nunca deixou e deixará de ser a “musa das artes”.
Uma brasileira perdida no Oriente Médio escrevendo sobre a vida e sobre o mundo. Dicas de filmes, viagens, política, cotidiano e outras coisas mais.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O retorno
Agora, mais uma vez no inverno, ele retorna a capital mais ao sul do país para (en)cantar. Sim!
He's back! Oh my God! ( momento fã ).
Lançou em 2010 um trabalho totalmente distinto do que havia sendo feito há anos, ou pelo menos em seus três últimos CD's: Amar la Trama.
Mi cantautor favorito retorna ao sul para deliciar nossos ouvidos com sua melódica voz.
Entonces, Jorge Drexler em Porto Alegre!
Enfim dois anos de espera e ele está de volta!
Gracias Jorgito
segunda-feira, 17 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Cinema e suas curiosidades...
A fundação de Hollywood é datada em 1877, seu nome deriva da fazenda da família Wilcox, que habitava a região.
Atlanta e Eletric Theatre são os dois primeiros cinemas do mundo datados de 1895 e 1902, respectivamente (EUA).
300.000 é o número de figurantes de Gandhi de Richard Attenborough. A maior figuração da história.
O filme mais assistido do mundo é E o vento levou... de Victor Fleming (120 milhões de pessoas).
O filme que teve mais beijos do cinema foi Don Juan de Alan Crosland, em 1926.
Fidel Castro tentou ser ator nos EUA. Interpretou interpretar pequenos papéis em três musicais: "Escola de sereias", "Bathing beauty" e "holiday in México".
Coppola começou sua carreria fazendo filmes eróticos.
358 vezes é o número em que Paula Maxa foi assassinada no cinema.
Fritz Lang recrutou para Metropolis 15.000 alopécicos para a cena do sacrifício ao deus Moloch, o deus sem escrúpulos do capitalismo.
Al Capone foi ao cinema ver Scarface de Howard Hawks várias vezes, filme baseado em sua vida.
O filme mais caro da história é a versão russa de Guerra e Paz de 1968 e dirigida por Sergei Bondarchuck.
Neruda
Pablo Neruda (1904-1973)
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
segunda-feira, 15 de março de 2010
O Segredo de Campanella
Fazia algum tempo em que um filme não mexia tanto comigo. Talvez a última vez que isso aconteceu foi quando assisti a "Ensaio Sobre a Cegueira" do Fernando Meirelles. Este filme é "O Segredo dos Teus Olhos" filme dirigido por Juan José Campanella, mesmo diretor do ótimo "O Filho da Noiva" (2001). A película que acaba de ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, desbancando obras como "A Fita Branca" de Michael Haneke, consolida o Cinema Argentino como um dos mais expressivos da atualidade.
Muitos são os adjetivos que podem ser utilizados para expressar o que nos é mostrado em pouco mais de 120 minutos de filme. Um roteiro magnífico, custurado de forma ímpar. Com grandes interpretações como a personagem de Villamil (que mais parece uma homenagem as divas do cinema dos anos 50), o papel de alcoolatra de Guillermo Francella. E, principalemente Ricardo Darín, que a cada cena dá um show de interpretação. Uma das grandes interpretações do cinema dos últimos tempos. São poucos os atores que conseguem fazer o espectador sentir o que seus personagens estão querendo transmitir naquele momento e Darín faz isso majestosamente a cada close que lhe é dado. Através de seus olhos podemos ver a alma de seu personagem.
Muitos são os adjetivos que podem ser utilizados para expressar o que nos é mostrado em pouco mais de 120 minutos de filme. Um roteiro magnífico, custurado de forma ímpar. Com grandes interpretações como a personagem de Villamil (que mais parece uma homenagem as divas do cinema dos anos 50), o papel de alcoolatra de Guillermo Francella. E, principalemente Ricardo Darín, que a cada cena dá um show de interpretação. Uma das grandes interpretações do cinema dos últimos tempos. São poucos os atores que conseguem fazer o espectador sentir o que seus personagens estão querendo transmitir naquele momento e Darín faz isso majestosamente a cada close que lhe é dado. Através de seus olhos podemos ver a alma de seu personagem.
O "Segredo dos Teus Olhos" é um ótimo exemplo de que o cinema ainda tem muito o que contar. É um filme que não abusa de nada. Tudo é na medida certa. Sem apelação. E o melhor de tudo: sem nenhum beijo na boca!
Vida longa a Campanella e ao cinema argentino!
O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos)
Direção: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino e Guillermo Francella
Gênero: Suspense/Policial/Drama
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