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domingo, 22 de janeiro de 2017

Entrevista diretora documentário Salam, Síria, Juliana Torquato, a ANBA

Entrevista diretora documentário Salam, Síria, Juliana Torquato a ANBA



Campanha na internet quer arrecadar dinheiro para contar história de famílias sírias no Brasil, Alemanha e Jordânia. A ideia é que 'Salam, Síria' esteja pronto até o fim do ano.




terça-feira, 22 de julho de 2014

Al Ghor - Oriente Médio. Vivendo na região mais baixa do planeta

Vivendo na região mais baixa do planeta

Al Ghor ou Al Ghawr é uma região do Vale do Jordão na fronteira da Jordânia com Israel e Cisjordânia com cerca de 110 km de extensão entre o mar da Galiléia (Lago Tiberíades) e o Mar Morto. Está é a região habitada mais baixa do planeta cerca de 300 metros abaixo do nível do mar. Al Ghor (pronuncia-se Al Ror) faz parte do complexo chamado de Great Rift Valley no qual o rio Jordão corre entre as fronteiras dos países. Este é o lugar que alimenta boa parte do Oriente Médio. As terras do Al Ghor são férteis e na metade norte do vale, no lado da Jordânia, existe um canal que auxilia na irrigação das terras cultivadas. O canal corre paralelamente ao rio Jordão, cerca de 72 km, entre o Rio Yarmuk e o Rio Zarqa. Suas águas ajudam no cultivo trigo, verduras, pimentas e frutas durante o ano todo.  Entre os países que importam os produtos do Al Ghor estão: Turquia, Europa, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Líbano e Arábia Saudita. Na parte sul do Al Ghor, a agricultura é praticada por meio de largos oásis e nas regiões partes não irrigadas, a criação de ovelhas e cabras predomina.


O verão é escaldante durante o dia e a noite o vento trás uma temperatura amena. Por ser muito baixa, é rodeada por grandes e belas montanhas a Leste (em direção a Amã) e Oeste (Israel e Cisjordânia) cheia de grandes e pequenas cavernas, ás vezes, habitadas por pequenos grupos de beduínos. Há comércio, banco, restaurantes, hospitais e toda uma infra-estrutura, simples, mas existe, para os milhares de moradores, sejam eles sazonais ou fixos. Durante os meses de setembro a junho a região é invadida por palestinos e egípcios em busca de trabalho nas inúmeras fazendas. Atualmente, os refugiados sírios também costumam vir para tentar a sorte durante os meses de colheita. Na realidade, Al Ghor é uma região predominantemente de auxílio aos refugiados dos países vizinhos, como os palestinos expulsos de suas casas por Israel que não conseguem trabalho nas grandes cidades.

A região é berço de muitas histórias e descobertas arqueológicas. A mais famosa delas é a do achado dos manuscritos de Balaão, filho de Beor, que segundo os dois livros sagrados (Torá e Bíblia) foi um profeta cujo Balaque deu ordens para amaldiçoar o povo de Israel. Estes manuscritos foram encontrados na cidade de DeirAllah, cerca de 60 km do Mar Morto. Por estar no coração do Oriente Médio, Al Ghor foi rota de diversos profetas e seguidores destes. No caso do profeta Maomé, vários de seus Sahabah (companheiros) estão enterrados em mesquitas da região como: Dhirar ibn al Azwar, Abu Ubaidah ibn al Jarrahe  e Shurahbeel ibn Hassana. Além disso, foi o local onde ocorreu a Batalha de Fahl entre o Califado islâmico e o Império Bizantino em 635.

Nesta que é uma das regiões habitadas mais antigas, olhar de longe o verde das plantações nos faz ver o quanto o Homem é forte para sobreviver e cultivar vidas em partes tão longínquas e áridas da Terra.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A mulher no Oriente Médio

Neste tempo em que estou vivendo no Oriente Médio pude notar o quanto que a mulher é importante nesta sociedade. Na verdade, a mulher é o alicerce de qualquer sociedade.

Muito se fala, se noticia sobre maus tratos, inferioridade, silêncio, opressão. Coisas que ocorrem em qualquer parte do mundo, mas que viram algo cultural se for no ORIENTE MÉDIO. O que estou vendo aqui são mulheres ativas, que estudam, que trabalham, que cuidam de seus filhos, que sorriem, que se divertem, que se embelezam e que os homens respeitam. Se há diferenças entre a mulher que vive no Oriente Médio e em outras partes do mundo? Claro. Sempre haverá alguma diferença entre nós. Nosso comportamento, nossa forma de se vestir, de lidar com pessoas e com situações. Até porque somos especiais, únicas.


Nos países de maioria muçulmana a mídia vive mostrando certas atrocidades que o sexo feminino passa. Mulheres são mortas, surradas, inferiorizadas, coisificadas o tempo todo no resto do planeta e em qualquer região do mundo isso não tem nada a ver com religião. Porém quando estas coisas ocorrem por aqui, a primeira coisa que se culpa não são os homens covardes, mas sim, a religião. Religião nenhuma ensina a bater e maltratar mulheres. NENHUMA. A própria mulher tem o direito pelo Alcorão de pedir o divórcio, caso seu marido a maltrate e é totalmente proibido o homem levantar a mão para sua mulher, algo que comprova que é covardia masculina e não religião. Mas sempre haverá a distorção, porém, não entremos em detalhes.

Se há coisas que são estranhas e talvez erradas, sim, há. Acho um absurdo mulheres não poderem dirigir na Arábia Saudita. Mas existe, no mesmo país, uma lei para protegê-las da violência doméstica. Tratar mau mulheres, animais, crianças não tem nada a ver com crença, é índole. O mundo está cheio de violência. Sempre esteve. Só que hoje ela chega aos nossos lares pela tv, pela Internet e bate à nossa porta instantaneamente. Em nenhum lugar precisaria haver lei para proteger mulheres se os homens tivessem dignidade e caráter.


As mulheres no Oriente Médio são professoras, engenheiras, médicas, arquitetas, empresárias, jogadoras de futebol, políticas, agricultoras...Estigmatizar as mulheres do Oriente Médio e chamá-las de oprimidas é um erro. Por que seriam? Por que cobrem seus cabelos e não andam chamando atenção com suas curvas? Por que precisam de permissão do pai para casarem? Ninguém melhor que nosso pai e nossa mãe para saberem o que é melhor para nós, não é? Ninguém nos ama tanto quanto eles. É a filha que está prestes a sair de casa, para viver com alguém pelo resto da vida, se for possível. Isso não é opressão, é amor. Forçar a casar com alguém que não ama já é outra coisa (algo natural em diversas culturas no planeta, no próprio Brasil isso já foi normal).

Nada melhor do que conhecer algo para falar dele. Convivendo com elas eu vejo que na verdade temos semelhanças universais. Somos sonhadoras, vaidosas e estamos em busca de algo que nos complete. No Oriente Médio não é diferente. As mulheres estarão sempre lutando por seus direitos, vivendo suas vidas corridas e cheias de tarefas seja na Arábia Saudita, no Líbano, no Brasil, na França ou em qualquer pedaço de terra deste planeta.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cerco de Ma'arat al-Numaan

Ma'arat al-Numaan é uma pequena cidade no noroeste da Síria e entrou para História no ano de 1098, por causa do massacre que ocorreu em seu território durante a Primeira Cruzada, conhecido como Cerco de Ma'arat al-Numaan. 


De acordo com historiadores, cristãos invadiram a cidade e renderam toda a população (os números não são certos, mas acredita-se que 20 a 100 mil pessoas morreram entre muçulmanos, judeus e cristãos ortodoxos). A cidade era composta de uma milícia urbana e por cidadãos que nunca haviam estado numa guerra. Durante duas semanas, eles foram capazes de segurar os cruzados da invasão graças aos altos muros que rodeavam a cidade. Eles, então, construiram um torre alta suficiente para os arqueiros atirarem na cidade. Usando esta torre os cristãos conseguiram passar sobre os muros da cidade fortificada em 11 de dezembro de 1908. Com isso, muçulmanos começaram a se retirar da cidade. O mandado era dormir a noite e retomar a ocupação pela manhã. Ignorando o acordo, alguns cruzados invadiram e saquearam a cidade. Na manhã seguinte, os dois lados negociaram e os cruzados, liderados por Boemundo de Taranto, prometeu um acordo entre as duas partes. Assim os muçulmanos se renderam, porém os cruzados começaram imediatamente a massacrar os moradores. Boemundo tomou o controle das muralhas e torres. E Raimundo IV de Toulouse controlou o interior da cidade.


Os meses frios do inverno do Oriente Médio e o cansaço com a disputa política entre Boemundo e Raimundo IV, levou os soldados cristãos a fome extrema. Segundo relatos dos viajantes, os cristãos cruzados começaram a comer os muçulmanos, fervendo e grelhando os cadáveres antes de devorá-los. Em uma carta ao Papa Urano II, um dos cruzados, Radolph de Caen escreveu: "Em Ma'aarra, nossas tropas estão fervendo os pagãos adultos vivos em caldeirões. As crianças estão sendo empaladas, postas em espetos e sendo grelhadas". Outro cronista das Cruzadas, Fulcher de Chartres, escreveu: "Eu tremo só de dizer que muitos de nossos povos, assediado pela loucura da fome excessiva, cortam pedaços das nádegas dos sarracenos já mortos e cozinham, mas quando não é o suficiente assar, eles comem como selvagens". Este ponto de vista ficou expresso na crônica de Alberto de Aquisgrão que escreveu: "os cristãos comeram não apenas os turcos ou sarracenos mortos, mas até mesmo cães".

Hoje a cidade deMa'arat al-Numaan ainda vive com a lembrança dos mortos no Cerco, há um mosaico em homenagem as vitimas para jamais esquecer deles. O horror do cerco de Ma'arat al-Numaan é um dos tantos episódios marcantes na memória muçulmana e do Oriente Médio. Estes eventos tiveram um forte impacto nos habitantes do Médio Oriente durante todas as Cruzadas. Os cruzados agravaram ainda mais a sua reputação de crueldade, canibalismo e barbárie. Séculos mais tarde, continuariam a ser descritos como fanáticos e canibais na literatura árabe.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mar Morto

Um dos lugares mais impressionantes que já visitei até agora foi o Mar Morto. O Mar que na verdade é um Lago ( o que me faz lembrar o debate do que seria o Guaíba em Porto Alegre) é impressionante. A estrada que leva ao Mar Morto, a rodovia 65, é linda. É quase que impossível não prestar atenção ao redor, cheio de montanhas e paisagens que mais parecem lunares. De repente ao lado direito, para quem segue para Aqaba, surge em um penhasco um mar azul brilhante. Por mais que suas águas estejam secando, ele parece gigante diante de nós. São águas hipnotizantes.


Ao chegar perto, sente-se um cheiro diferente, não é aquele cheiro típico de mar, é algo inexplicável, talvez seja pelos altos índices de cálcio, magnésio e potássio. Ao se tocar a água, ela é norma e de tão cristalina, dá para ver as pegadas deixadas como se fossem petrificar no fundo lamacento. 

O Mar atualmente está com uma extensão de mais ou menos 60 km. E a rodovia 65 segue seu percurso até o final do Mar. Em várias partes dá pra se notar umas espécies de piscinas ou grandes buracos (chamados de Bolaines) que são de água doce! Sim. Como o mundo está sabendo, as águas do Rio Jordão estão secando e é ele que abastece o Mar Morto. Com isso, o Mar, a cada dia, recebe menos água, o que forma estes buracos. Dizem especialistas que são águas de um rio subterrâneo descoberto pelos judeus há alguns anos atrás.


O mais incrível do Mar Morto são as histórias que ao longo dos milênios ocorreram por estas bandas, principalmente as histórias de cunho religioso como a separação dos filhos de Abraão, Ismael e Isaque, iniciando a criação das duas grandes nações (árabes e judeus) ou aquele episódio em que Jesus foi tentado pelo Diabo durante quarenta dias e quarenta noites. Mas nenhuma ganha tanto destaque como a de Sodoma e Gomorra que estavam localizadas aqui e acredita-se que estão submersas pelas águas do Mar e a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

domingo, 18 de maio de 2014

Jerash - a mais romana das cidades do Oriente Médio

A primeira cidade turística que visitei na Jordânia foi Jerash. E a frase para descrevê-la é: De volta à Roma antiga! Jerash é a segunda cidade mais visitada do país perdendo, é claro, para Petra. Para quem ama história, como eu, é uma parte do território jordaniano obrigatório para se ir e contemplar mais de 2 mil anos de história. 

Jerash está localizada pertinho de Amã, cerca de 40 km, mais especificamente, ao norte. A moderna cidade de Jerash fica a leste das ruínas. A velha e a nova Jerash dividem a muralha construída a milhares de anos. As ruínas da cidade antiga ficaram escondidas por séculos até serem "descobertas" no início do século XX por Ulrich Jasper Seetzen. A partir daí, iniciou-se o período de escavação e restauração. Atualmente, é uma das dez cidades romanas mais bem preservadas do mundo e, como Amã,  seu relevo é totalmente montanhoso com temperaturas agradáveis durante quase todo o ano. A maioria destes monumentos foram construídos por doações de cidadãos ricos da cidade durante seu auge.


Suas ruínas contam muito da história da região. A cidade foi conquistada pelo General romano Pompeu em 63 a.C. E sua era de ouro foi durante o domínio romano, no qual era conhecida por Gerasa. Conta-se que após a conquista do Império Romano em 63 a.C., Jerash e terras arredores foram incorporadas pela província romana da Síria, e mais tarde se juntou as cidades que formaram a Decápolis (grupo de dez cidades na fronteira oriental do Império Romano na Judéia e Síria). Em 90 d.C., Jerash foi absorvida pela província romana da Arábia, que incluia a cidade de Filadélfia (atual Amã). Todavia, escavações recentes mostram que Jerash já foi habitada durante a Idade do Bronze ( 3200 a.C. - 1200 a.C.). No seu auge, Jerash chegou a ter cerca de 800 mil metros quadrados, uma grande cidade para os padrões da região.

O imperador Adriano visitou Jerash entre os anos 129-130 e em homenagem à visita foi construído um arco ao sul da cidade.  Em 614, os persas invadiram Jerash. E a partir daí iniciou-se seu declínio. No ano 749, um grande terremoto devastou grande parte de Jerash e seus arredores. Durante o período das Cruzadas, alguns dos monumentos foram transformadas em fortalezas, abarcando o Templo de Artemis. Pequenos assentamentos continuaram em Jerash até a invasão otomana. 

Andando pela cidade antiga, nota-se que todos os espaços estão bem informados através de placas que contam a história do monumento e da cidade (em três idiomas: inglês, latim e árabe). Entre os lugares para se visitar em Jerash incluo:

A coluna Corinthium,
Cardo Maximus,
Arco de Adriano ( já quase na entrada da cidade),
O circo / hipódromo,
Os dois grandes templos (dedicado a Zeus e Artemis),
O Fórum oval em perfeitas condições e é cercado por uma bela colunata,
A rua com colunatas,
Região onde estava localizada o comércio da cidade,  
Dois teatros (o Grande Teatro do Sul - no qual ocorre anualmente o Festival de Jerash e o Teatro do Norte, menor),
Dois banheiros tipicos - aqueles nos quais os romanos se banhavam em público,
Dois pequenos templos,
Um circuito quase completo de muralhas da cidade.
Uma catedral construída no século IV,
A igreja de Marianos,
Uma antiga sinagoga com mosaicos detalhados, abrangendo a história de Noé, foi localizado debaixo de uma das igrejas.


Durante o trajeto há rapazes vendendo água, refrigerante, chapéus, mascaras do V de Vingança ( que eu não entendi o motivo), flautas tradicionais árabes no valor de 1 dinar (um pouco mais de R$3,00 – óbvio que tive que comprar um de recordação) e cobrando para tirar foto dos turistas...Há, também,  guias em 7 idiomas, não incluso o nosso, a 35 dinares para levar os turistas por todo o trajeto. Jerash é incrível não somente pela arquitetura greco-romana, mas por se saber que o tempo a deixou escondida por séculos embaixo da areia. Dá para imaginar o quanto ainda está por ser desvendado nestas terras...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Recontando a História: exumação de Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia

Depois de encontrar o corpo de Henrique III, a História mundial está pronta para novos achados. Pela primeira vez em quase 180 anos foram exumados para estudos os restos mortais de Dom Pedro I, o primeiro imperador do Brasil, e de suas duas mulheres: as imperatrizes Dona Leopoldina e Dona Amélia.
 
 
Os exames, realizados em sigilo entre fevereiro e setembro do ano passado pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, revelam fatos até então desconhecidos da família imperial brasileira e compõem um retrato jamais visto dos personagens históricos, cujos corpos estão na cripta do Parque da Independência, na zona sul da cidade, desde 1972.
Agora se sabe que o imperador tinha quatro costelas fraturadas do lado esquerdo, o que praticamente inutilizou um de seus pulmões - fato que pode ter agravado a tuberculose que o matou, aos 36 anos, em 1834. Os ferimentos constatados foram resultado de dois acidentes a cavalo (queda e quebra de carruagem), em 1823 e 1829, ambos no Rio.
 
No caixão de Dom Pedro, nova surpresa: não havia nenhuma comenda ou insígnia brasileira entre as cinco medalhas encontradas. O primeiro imperador do Brasil foi enterrado como general português, vestido com botas de cavalaria, medalha que reproduzia a constituição de Portugal e galões com formato da coroa do país ibérico. A única referência ao período em que governou o Brasil está na tampa de chumbo de um de seus três caixões: a gravação Primeiro Imperador do Brasil, ao lado de Rei de Portugal e Algarves.
 
 
Ao longo de três madrugadas, os restos mortais da família imperial foram transportados da cripta imperial, no Parque da Independência, à Faculdade de Medicina da USP, na Avenida Doutor Arnaldo, onde passaram por sessões de até cinco horas de tomografias e ressonância magnética. Pela primeira vez, o maior complexo hospitalar do País foi usado para pesquisar personagens históricos - na prática, Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia foram transformados em ilustres pacientes, com fichas cadastrais, equipe médica e direito a bateria de exames.
 
 
No caso da segunda mulher de Dom Pedro I, Dona Amélia de Leuchtenberg, a descoberta mais surpreendente veio antes ainda de que fosse levada ao hospital: ao abrir o caixão, a arqueóloga descobriu que a imperatriz está mumificada, fato que até hoje era desconhecido em sua biografia. O corpo da imperatriz, embora enegrecido, está preservado, inclusive cabelos, unhas e cílios. Entre as mãos de pele intacta, ela segura um crucifixo de madeira e metal.
 
O estudo também desmente a versão histórica - já próxima da categoria de “lenda” - de que a primeira mulher, Dona Leopoldina, teria caído ou sido derrubada por Dom Pedro de uma escada no palácio da Quinta da Boa Vista, então residência da família real. Segundo a versão, propalada por alguns historiadores, ela teria fraturado o fêmur. Nas análises no Instituto de Radiologia da USP, porém, não foi constatada nenhuma fratura nos ossos da imperatriz.
 

 
Fonte: Folha de São Paulo.